Quase…

16 de dezembro de 2016

 

Mais um ano chegando ao fim… refletindo sobre isso, me dei conta de que tenho feito o máximo que posso pelos meus filhos e pela minha família, mas não tenho feito quase nada por mim, aliás, nem tenho me visto muito ultimamente, as vezes esbarro comigo por aí mas nem tenho tido muito tempo de olhar, e quando olho não gosto do que vejo. Talvez seja só uma crise existencial, crise dos 40 já que não tive crise dos 30, sei lá… o fato é que me abandonei este ano.

Mas enfim, um novo ano se aproxima e renovam-se as esperanças. Minha grande meta para 2017 é conseguir cumprir tudo que prometi para mim mesma e não ficar apenas no “quase”… isso me fez lembrar de um texto do Luiz Fernando Veríssimo que amo e expressa exatamente como estou me sentindo.

 

“Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase.

É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.

Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou.

Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que quase perdem por medo, nas ideias que nunca saíram do papel por essa maldita mania de viver no outono.

Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto.

A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos ‘Bom dia’, quase que sussurrados.

Sobra covardia e falta coragem até para ser feliz.

A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.

Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são.

Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.

O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.

Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.

Para os erros há perdão; para os fracassos, chance; para os amores impossíveis, tempo.

De nada adianta cercar um coração vazio e economizar alma.

Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance.

Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.

Desconfie do destino e acredite em você.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite ao menos uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos.

Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.”

Será que alguém mais se identifica?

Beijinhos!

Débora Bertoldi

 

 

 

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